Livro “MULHERES NO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO CHINÊS (1839-1949)”

Livro escrito pela professora Christine Dabat, Professora do Departamento de História (UFPE) e membro do Grupo Coordenador do IEASIA

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Resumo

A China possui uma cultura de brilho inesgotável que suscita muito interesse. Sua civilização milenar se soma à importância geopolítica da nação mais populosa do mundo. Estudar aspectos peculiares dessa história pode ajudar a entender uma realidade desafiadora. Destinado aos estudantes, bem como a um público mais amplo, o presente livro constitui uma incitação à leitura sobre a história contemporânea da China.

A abordagem escolhida enfoca as informações sobre as mulheres, e mais exatamente, sobre aquelas que participaram do movimento revolucionário. Pois tiveram um papel considerável nas transformações que afetaram a China nos séculos XIX e XX. Da mesma forma que se pode escrever uma história econômica, política ou militar – diga-se de passagem, quase sempre no masculino! – parece interessante, por uma vez, orientar os holofotes sobre heroínas famosas, ativistas políticas conhecidas ou camponesas, operárias e estudantes (cujos nomes foram esquecidos) que construíram, tanto quanto seus companheiros, a China atual.

A condição das chinesas, sobretudo das camponesas, conheceu, no século XX, uma mudança sem precedente. De um lado, em razão da melhoria da situação das populações rurais em geral; do outro, em virtude de modificações específicas, fruto da contribuição da metade feminina da população às lutas sociais.

Mulheres participaram das grandes rebeliões camponesas do século XIX, bem como das organizações contra a dinastia manchu. Alunas secundaristas e estudantes, organizaram grupos de estudo e trabalho para “Salvar a nação e o mundo”. Animaram as grandes manifestações nacionalistas contras as potências que tratavam a China como “semi-colônia”. Operárias, fizeram greve em massa nas indústrias urbanas. Construíram a República soviética chinesa e tomaram parte na Longa Marcha. Camponesas de todas as idades foram essenciais na condução da resistência contra o Japão e, depois, contra Chiang Kai-shek e seus aliados norte-americanos, apoiando as tropas comunistas e aliadas, informando-as sobre os movimentos do inimigo, organizando a população, o abastecimento, cuidando dos feridos, evacuando os civis frente aos ataques e bombardeios. Ocasionalmente, pegavam em armas nas milícias. Sustentaram também a economia das zonas liberadas, assumindo o lugar dos homens no campo, revivendo as manufaturas tradicionais, particularmente têxtil que fora desmontada pelas importações impostas pelas potências estrangeiras. Em todas as situações, sofreram as medidas extremas de repressão que todos os governos reacionários deslancharam contra os movimentos progressistas.

Essa rica experiência histórica, de infinita variedade na sua dimensão humana, nos toca; longínqua espacial e culturalmente, parece, contudo, muito próxima nas suas preocupações, aspirações, emoções.

Christine Rufino Dabat (Professora no Departamento de História da UFPE) Livro Texto 3, Recife: Editora Universitária da UFPE, 2006. 303 p.

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